Um levantamento científico realizado no Sítio Bagagem, em Niquelândia (GO), trouxe resultados expressivos para a conservação da fauna do Cerrado. A pesquisa conduzida por Delubio Filho, com apoio do Instituto Floresta Cheia, e financiamento do Ministério Público de Goiás (MPGO) identificou 216 espécies de animais, incluindo aves, mamíferos, anfíbios e répteis. Entre elas, estão espécies ameaçadas de extinção como o lobo-guará, a anta e o tamanduá-bandeira, além de registros raros como o gato-palheiro-do-pantanal. O estudo aponta ainda que a biodiversidade local pode chegar a 273 espécies, reforçando o papel do sítio como corredor ecológico entre áreas de proteção ambiental da região.
Delubio destacou que o Sítio Bagagem funciona como um verdadeiro refúgio para a fauna, oferecendo abrigo, alimento e segurança em meio ao avanço da ocupação humana no Cerrado. A área, que já recebeu mais de 600 animais para soltura desde 2021, é assistida pelo CETAS/IBAMA e conta com parcerias da NovaLuz e da Anglo American, que apoiam a infraestrutura e manutenção das estradas.

O proprietário do sítio, Manoel Júnior, ressaltou tanto o caráter voluntário do trabalho quanto os planos futuros para ampliar o monitoramento e a educação ambiental:
“Eu acredito que a gente tem muito ainda a catalogar, precisamos explorar mais o rio e investir em recursos para acompanhar a fauna aquática, como canoas para monitorar animais de hábito noturno e espécies como o pato-mergulhão. Agora, com a ampliação do recinto, vamos poder receber presa e predador, reintegrar um número maior de animais à natureza e atender mais estudantes da rede pública. O trabalho de educação ambiental ganhou uma contribuição muito relevante com o apoio da NovaLuz, do IBAMA e da Anglo American. Paralelamente, a pesquisa do Delubio veio mostrar em fatos científicos como esses animais estão se comportando, se reproduzindo e voltando ao meio ambiente. Essa pesquisa foi fantástica nesse sentido.”
Os próximos passos incluem ampliar os métodos de coleta, contratar profissionais especializados e expandir o estudo para a flora local, de modo a compreender de forma mais completa a dinâmica do ecossistema e fortalecer a conservação da biodiversidade.











